Reflexões

Quando nós (os filhos) voamos! – Por Gabriela Thomé

quando-nos-voamos

QUANDO OS FILHOS VOAM!

Hoje pela manhã me deparei com um texto que meu pai compartilhou no facebook que mexeu comigo. O texto retrata o sentimento dos pais quando os filhos precisam voar para fora do ninho (do seu lar, da sua família) para crescerem. Um momento inevitável, mas ao mesmo tempo doloroso e de muitos aprendizados que é ‘Quando os filhos voam…’  <<<<- clique aqui para ler./

Refleti durante todo o dia nesse texto, pois ele é exatamente o reflexo do que estamos vivendo agora. Eu em outro país, meus pais no Brasil e todo esse drama que envolve viver longe da família. Resolvi escrever esse texto, com a perspectiva dos filhos, quando nós (os filhos) voamos.

 QUANDO NÓS (OS FILHOS) VOAMOS!

Meus pais sempre me ensinaram a ser independente e como sobreviver nos mais difíceis cenários. Eles queriam ter certeza de que quando eu saísse do ninho e criasse o meu próprio, eu seria capaz de saber tudo o que preciso para viver. 

Quando estamos no ninho dos nossos pais, sentimos uma proteção e um conforto inigualável. O mundo parece pequeno demais para nós e temos a tranquilidade de sonhar. Mal sabíamos nós, que essa sensação fazia parte do grande esforço que nossos pais faziam para nós poupar da floresta que nos esperava lá fora.

Quando alguém queria atingir nosso ninho, eles com toda braveza defendiam o lar. Quando começamos com nossos primeiros voos, e muitas vezes nos frustrávamos por não ser tão bem sucedido, os nossos pais sempre estavam lá para nos incentivar a voar novamente.

Todo suporte nos era fornecido, como aulas sobre voo (quando havia alguma matéria que eles não dominavam, sempre achavam um professor para nos ensinar), como seus conselhos (mesmo não sendo o que queríamos ouvir) que conseguiam prever muitas falhas  em futuras decolagens.  Sem contar, a coragem que tinham para vencer a floresta por nós e para não nos faltar nada (simplesmente a comida já vinha mastigada na nossa boca).

Chega então o momento, em que o grito de independência se faz necessário. Uma mistura de sentimentos tomam conta de nós. Desde confiança em nós mesmos, porque sabemos que precisamos crescer e que temos potencial para voar, até o medo de não conseguir.

Encaramos as dificuldades da floresta lá fora, admiramos ainda mais os nossos pais, por que agora sim é possível ver que era bem mais difícil que imaginávamos. Construir um novo ninho e voar cada vez mais alto, implica uma série de desafios a serem vencidos.

 Sentimos muito por estarmos ausentes em momentos importantes aos quais nos reuníamos e pensamos por diversas vezes em como poderíamos ter aproveitado melhor cada minuto ao lado deles. Alguns filhos se arrependem, por não terem feito mais. E outros, assim como eu, apenas se confortam em doces momentos construídos juntos, nas melhores lembranças das nossas vidas até agora.

 Descobrimos que os defeitos que haviam no nosso ninho, eram minúsculos, se comparado com o quão o mundo é mal e que sempre existem pessoas que querem nos derrubar ou invejam o quão alto você está voando.

E quando temos dificuldade nos voos, a vontade é de desistir e voltar para o nosso antigo lar é grande. Mas aí lembramos da coragem que os nossos pais, com seus próprios testemunhos de vida, nos mostraram que é possível vencer e ter um voo de sucesso.
 
Respiramos menos também, assim como vocês pais, por que os ventos da mudança às vezes também nos sufocam. E o que nos sustenta até aqui, é o legado histórico que vocês nos deixaram, a esperança de um dia, honramos todos todos os seus ensinamentos.
familia-thome

Aprendi a ser independente em vários aspectos da vida, mas não aprendi a ser independente do sentimento bom que era ter o cuidado e colo do papai e da mamãe. E acreditem, nostalgia vire e mexe vem bater a minha porta.

Aprendo que o viver fora do ninho não é fácil, mas a gente descobre que somos mais forte do que pensávamos.

 Aprendo a valorizar tudo o que vocês fizeram por mim, tudo o que me ensinaram, pois hoje sei que vocês são guerreiros e tudo o que eu sou tem a essência de vocês.

 Aprendo que perder é mais comum do que eu pensava. Mas que temos que levantar a cabeça e continuar tentando, pois temos fortes exemplos de pessoas que conseguiram vencer, com muito menos oportunidades que nós.

 Aprendo a construir meu ninho com todo o zelo e carinho, pois eu quero que meus filhos também tenham a minha essência e também saibam voar um dia.

 Aprendo que tenho que ter coragem para voar. Mas me conforto na certeza de que mesmo se eu falhar, ou se eu precisar voltar, sempre terei meu porto seguro, em que posso confiar. E vocês pais, não sabem o quanto esta certeza nos dar força para não desistir.

 ASAS E RAÍZES

Vocês nos deixaram livres para conquistar, nos deram asas para voar, mas também nos deram raízes. E essas raízes são profundas e inabaláveis, nós vamos crescer, mas as raízes permanecem firmes. 

As pessoas podem não conhecer vocês (pai e mãe), mas elas saberão quem vocês são, porque as raízes não estão expostas, mas elas revelam a essência que há em nós. E pela árvore, pelos nossos bons frutos, as pessoas vão admirar as nossas raízes onde quer que nós formos. 

As mudanças são necessárias, mas não importa o quão alto ou o quão longe estamos. Existe algo que nunca muda dentro de nós: o nosso amor por vocês!

Este texto foi inspirado nas minhas vivências dentro da casa dos meus pais e influenciado pelo texto ‘Quando os filhos voam…’ do Rubem Alves. (Clique para ler aqui).
Por Gabriela Thomé.
Compartilha nas redes sociais e não deixe de comentar sua opinião sobre esse post! 🙂

Gabriela Thomé

Gabriela Thomé já escreveu 331 posts no Intervalo UP.

Nascida em Brasília - DF, moro em Palmas - Tocantins, mas atualmente estou em uma jornada em explorar os Estados Unidos, mais precisamente em um intercâmbio na cidade de Boston-Massachussetts. Formada em Marketing e Propaganda e cursando Jornalismo pela UFT. Amo maquiagem, beleza, e tudo relacionado ao universo feminino e autoestima. Criei o blog Intervalo Up para compartilhar minhas descobertas belezísticas, mas tenho me encontrado também em outras assuntos, como na fotografia, em viagens (que amo compartilhar aqui) e nos meus aprendizados com a vida e com Deus.

3 Comments

  1. Lauana

    novembro 4, 2016 at 7:46 pm

    Que lindo…
    Coisa linda de ler, meditar…
    Maravilha de Deus!
    Você é uma bênção Gabi.

  2. Hortênsia Fracalanza

    novembro 24, 2016 at 5:44 am

    Gostei principalmente da comparação com a árvore, quando você diz que pelos frutos se pode avaliar as raízes mesmo sem tê-las visto. Parabéns!

Leave a Reply